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Vilipêndio

Urbicídio

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Ilustração Urbicídio Christophe Marques @ not_from_

 

 

O homem é bicho de matar. Seja uns aos outros ou a bichos de outro tipo. Matamos inclusivé as sedes e as malditas saudades. Mas a mim nada me fazia prever que conseguíamos destruir urbes. Cidades inteiras. 

A estratégia foi brilhante: pôr matraquilhos em vez de pessoas, guias no lugar do cérebro, roteiros em vez de rotinas, fotografias aqui e acolá, hostel em cima de hostel e deixar o destino fazer o resto. O nosso fado, no fundo. The fade, como já deve ser chamado.

A seguir sugiro meterem fotografias do Instagram em cada casa, ratings do tripadvisor nas esplanadas dos cafés, passar todos os cafés e restaurantes para nomes em inglês que não café e restaurante, e a vida pode ser assim simples.

Podemos também encher a cidade de pessoas que auferem três vezes o salário do comum e casas a preço de dois salários mínimos, vai fazer bem à saúde de todos certamente.

Juntem tudo que vai dar uma bela salada. A cidade, Lisboa, entretanto há-de ter deixado de ser cidade para passar a ser um circo de encenações. 

Até pode haver exagero em tudo isto, mas se estamos a conseguir matar um planeta inteiro, por que não uma cidade?

 

(Um enorme obrigado a quem desenhou - e me deixou utilizar - a ilustração e o nome para este post, pelo brilhantismo com que traduz este fenómeno) 

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