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Vilipêndio

Vilipêndio

01 de Agosto, 2022

Uma final e algo mais

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A final jogada ontem entre a Alemanha e Inglaterra, num estádio do Wembley completamente cheio, deu ares de uma nova era, de um novo começo. Teve tons de novidade num mundo que parece velho, monótono, aborrecido.

Começa logo no estádio em que foi jogada, mítica casa inglesa, e na quantidade extraordinária de público que uma final de futebol feminino conseguiu atrair. Tudo isto é novo, e é óptimo. A própria atenção mediática que foi dada ao longo do torneio é um fenómeno que conseguimos perceber facilmente ser novo.

Obviamente que Portugal não é, no que toca a cultura desportiva, igual a Inglaterra ou Alemanha - nem sequer a Espanha. Ainda esta semana, Duplantis (atleta sueco) bateu o recorde do mundo em salto à vara e no dia seguinte, nenhum jornal português fazia referência a isso na capa. Em Espanha, os 3 principais jornais faziam referência com foto. Relembro: era um atleta sueco e não espanhol.

Pode parecer coisa pouca, mas diz muito da forma como consumimos desporto, como o nosso interesse é direccionado e como tornámos o desporto em Portugal quase todo acerca do futebol e de todos os pormenores que o envolvem, mesmo pormenores que nada têm a ver com o jogo jogado.

O desporto em Portugal não está de boa saúde, quiçá nunca esteve. Estamos muitos furos abaixo, somos demasiado centrados num só desporto e num só desporto praticado por um só genero. Fazemos constantemente do desporto um conflito, uma discussão, o clubismo é parte essencial disto de ser fã. 

Havemos de chegar onde estão os outros países mas é triste percebermos esta distância.

Num dos meus últimos textos neste blog, fiz referência a uma crónica absurdamente rídicula de António Saraiva, figura sempre em destaque no jornal SOL, e que parece ter perdido o sono com esta coisa de mulheres jogarem futebol.

Ora, ontem não há de ter sido um bom dia para este nosso amigo. A festa foi completa, a atmosfera fantástica, o desporto-rei foi bem homenageado ao longo do torneio e principalmente na final de ontem.

O futebol feminino veio para ficar. A qualidade do seu futebol é indiscutível e merece ter o mesmo palco que o futebol masculino. Aos homens que, das suas grutas primitivas, não conseguem aceitar esse facto, só posso desejar boa sorte. Podem sempre fechar-se na gruta e deixar-se estar lá indefinidamente, todos agradecemos.

E quanto a Portugal, temos ainda muita estrada pela frente. Ainda não amamos o desporto. Amamos o drama do futebol (masculino, claro) e o resto vem tudo por acréscimo. Mas tenho a certeza que, no dia em que conseguirmos ter a mesma mentalidade que ingleses ou alemães ou suecos, seremos candidatos a ganhar tudo.

Fotografia: Franck Fife / AFP - Getty Images

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