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Vilipêndio

Tanto barulho, gente.

 

 

 

 

Uma das mais curiosas histórias que me contaram recentemente aconteceu na estação britânica BBC, no longínquo ano de 1930. Nessa altura a televisão era ainda fascínio de gente doida e produto de bruxaria, pelo que as notícias chegavam à família comum pela rádio. Era momento solene, ouvido com a maior das atenções. Não demorava mais do que uns minutos, mas era ali que a família ficava a par dos acontecimentos no país e no mundo. No dia 12 de Abril desse ano, contudo, no boletim das 20:45, a BBC emitiu apenas um comunicado: “Hoje não há notícias”. Só isto, terminando de seguida o programa para dar espaço ao som de piano que era apanágio da estação nesses remotos passados.

Um dia sem notícias. Tentemos imaginar. Não dá, pois não? Tentar imaginar um dia que culmine num anúncio destes parece mentira, faz pensar que nesse dia o planeta não girou e que o sol nem se deu ao trabalho de se levantar. 

O que é certo é que os dias sem notícias continuam a existir, mas infelizmente há dez canais de televisão para encher, e outros tantos jornais, rádios, revistas e sites.

Este post, tal como o que anteriormente debitei sobre toda a temática Ronaldo, vem na sequência de uma passagem fortuita pela SIC Notícias, à hora do programa dedicado a ouvir os telespectadores. Era inteiramente dedicado a esse nevrálgico tema, e nos cinco minutos em que consegui aguentar aquilo pude ouvir um espectador, um militar de 25 anos, dizer algo muito semelhante a "Mas vocês não têm mais nada para falar?" e "Falem do preço da gasolina e dos salários, por exemplo".

Foi interessante. Deu para perceber que aquele espectador não sabia nada acerca das actividades sexuais de um jogador de futebol, o que por si é de lamentar, mas também percebemos que preocupam-no mais os euros que mete no depósito, ironicamente bem mais que os vizinhos espanhóis, ou quantos euros mete no bolso ao fim de cada mês de trabalho, provavelmente menos que os hermanos

Isto são as preocupações das pessoas. As coisas que mexem na sua vida. Os euros que saem e os que entram. Supostamente era para isso que serviam os media, para dar voz às pessoas, e com isso fazer a sociedade andar para a frente. Mas o que vemos é um alimentar de tendências, sensacionalismos e obsessões. 

Falar muito nunca foi tão contrário a falar bem. 

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