Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Vilipêndio

Vilipêndio

23 de Julho, 2021

Para onde vai a direita

vilipêndio

FOTO: Joao Porfírio@Observador

O debate do Estado da Nação foi ontem e, não sei dizer muito bem qual o estado dela, mas não é assim tão difícil ver o estado do Estado da Nação.

Não é bom. O debate não é fantástico, o estado do debate é perto do pobre, é escanzelado quiçá.

António Costa parece passear-se numa praia só sua, criado por ele e do seu total conforto. Uma praia onde ele se pavoneia de calções curtos e creme protector, especialmente nas zonas sensíveis.

A esquerda está refém de Costa e das suas políticas e decisões. A direita, por outro lado, parece o miúdo, já não tanto um miúdo e a roçar a idade adulta, que se está a inscrever na faculdade no curso de Gestão mas que, no fundo, quer é ser do contra e ir mochilar pela América do Sul durante uns tempos, uns rebeldes e muito estranhos tempos.

A direita está a tentar encontrar-se e o seu GPS parece estragado, ou no mínimo disfuncional. Quer virar à direita mas também quer virar muito à direita, perto do precipício. Brinca aos liberalismos na forma de memes e de encontros rebeldes de Padel ou comparações absurdas entre Costa e a PIDE, mas também brinca com extremismos de índole nacionalista e a roçar a supremacia branca.

Enquanto isto o PSD parece ser, nos dias que correm, um partido perdido algures pelo centro. O centro é coisa que está a desaparecer, é fácil de ver, e as normas do dito politicamente correcto, que outras pessoas chamam de coerência e bom-senso, encostam qualquer grupo partidário à esquerda, num mundo dominado cada vez mais por pequenas e superflúas guerras culturais. Por isso vemos um discurso que é uma coisa e vemos cartazes para as autárquicas que utilizam Estaline para atacar os comunistas. O PSD tem que jogar o jogo do Twitter e da guerra cultural para se manter um partido relevante na direita, tem que ultrapassar umas linhas invisíveis para se poder afirmar como importante.

A direita joga um jogo de cariz existencial, parece-me. É um momento que a vai definir nos próximos anos e não é uma decisão pequena, sem importância. Há muita coisa em jogo.

Veremos para onde vai a direita e para onde nos leva o Costa.

 

 

Comentar:

Mais

Comentar via SAPO Blogs

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.