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Vilipêndio

Os Euros e os Robles

 

É inevitável falar do caso que abre oficialmente a silly season, contudo não quer isso dizer que alguma coisa de verdadeiramente útil se possa acrescentar à discussão, que vai longa, por vezes suja, por vezes escusada, como bem sabe alimentar esta imprensa que já só é um fantoche nas mãos de interesses cada vez mais vastos e obscuros. 

 

Mas, agora, em relação ao belíssimo tiro no pé de Ricardo Robles, o que tenho para dizer é que nunca pensei chegar a um dia da minha vida e sentir que vivemos num sketch de Gato Fedorento. O político que assenta toda a sua campanha na luta contra a especulação imobiliária enquanto reabilita um prédio inteiro para o vender por mais de 10 vezes o valor que lhe custou quatro anos antes. Quase imagino o Ricardo Araújo Pereira a fazer de Robles, beto rico que vai brincando às políticas, da mesma espécie que boa parte de quem ali anda.

Ao contrário de Sócrates, o esquecido, a quem são dirigidas acusações de verdadeiros crimes, com Ricardo Robles não é disso que se trata, mas sim de moralidade. Fala-se tão pouco nela que tenho dúvidas que ainda exista. Resta-nos decidir qual é a pior, o crime do enriquecimento ilegal ou a falta de moral do enriquecimento legal.