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Vilipêndio

Opostos no espectro

 

 

O branco é o contrário do preto. Mas porquê?

Todos nós já perguntámos, num qualquer quizz ou trivial de trazer por casa, qual o contrário da cor branca. Nunca ninguém há-de ter perguntado qual o contrário de vermelho ou azul. Porquê? O que faz o branco e o preto se tornarem opostos? Que ilusão é esta?

A resposta está num qualquer espectro de cores e para mais profundos intentos há-de haver um qualquer compêndio de física óptica ou de filosofia que dê um pequeno vislumbre em respeito a isso. Um parece engolir tudo e o outro simboliza o nada. Dois vazios bem diferentes. 

É por isso que preto não é o mesmo que branco. Ser branco não é o mesmo que ser azul. O vermelho é diferente do lilás. As cores existem e nós não sabemos porquê. Se é uma ilusão do corpo, produto de uma estranha parceria entre cérebro e olhos, é uma ilusão das boas. Para alguns, a quem damos o nome de daltónicos, as cores não existem sequer, ou aparecem-lhes noutra configuração, aleatoriamente transformadas noutra ilusão, distinta da ilusão de todos nós, a maioria.

Divago acerca do branco e do preto pelos recentes eventos em Portugal, no seu todo, e no Bairro da Jamaica, no seu particular. É tudo muito triste, muito primitivo, revela muita coisa, faz a cauda e o gato verem-se ao mesmo tempo. Esta é a prova de que as cores só são uma ilusão enquanto vivem nos olhos. Quanto atingem uma porção específica do cérebro, perto daquela que nos faz confundir a verdade com a mentira, passam a ser uma diferença. Mesmo que sejam apenas diferentes tonalidades da mesma cor. 

Existe tanto racismo em Portugal como vontade que ele não exista. Nós somos assim, tudo e nada. Como o preto e o branco, no fundo.