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Vilipêndio

Vilipêndio

07 de Setembro, 2021

Olhemos para o Brasil

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Já poucas dúvidas existem que Bolsonaro é a versão brasileira de um Trump que virou os Estados Unidos do avesso. Dúvidas não restavam que Bolsonaro iria ter o mesmo papel político que o seu congénere americano, mas poucos anteciparam que iria seguir os seus passos, literal e pormenorizadamente, cada ataque ao sistema seguido de outro e de forma tão óbvia. 

Depois de perceber que estava a caminhar para perder umas eleições - o absurdo da sua resposta à pandemia fez com que perdesse eleitorado até à direita - decidiu activar o último plano, o plano do desespero. Passou a semear o caos acerca de umas eleições que não aconteceram ainda, implantando a semente da desconfiança e de um possível "golpe" pelas máquinas de voto electrónicas (sim, o Trumpismo básico) chegando inclusive a dizer que só existem eleições se ele quiser. Toda esta narrativa, mastigada e remastigada, parece saída de um diário de bordo de um esquizofrénico, já cheira mal de tão incoerente que é. Está é a face visível do fascismo modernizado, de máscara mas que acaba a deixar o rabo de fora. O que estes políticos souberam fazer, aliados a máquinas de propaganda digital bastante sofisticadas, será contado em livros de história num futuro não muito distante. 

Conquistaram uma boa parte do eleitorado na base da criação de uma realidade alternativa, na distorção do mundo como forma de se implantar nos cérebros de milhões como únicos possíveis salvadores e únicos acima da corrupção, os portas-estandartes das pessoas "de bem". 

Precisamos de estar muito atentos a estes autoritarismos mascarados de patriotismo, à corrosão de todos os pilares da democracia, seja o jornalismo, a justiça ou a ciência, e Bolsonaro é só mais uma prova que há uma doença, para além da covid, a assolar o mundo. A doença destes autoritarismos de direita, pseudo-evangelistas, pseudo-patriotas, que no fundo só escondem fascismos antigos e expõem o que de pior existe nas nossas sociedades, que trazem à tona da água os sentimentos mais primitivos e básicos.

Já há uns tempos disse que tenho dúvidas que este fenómeno não conquiste Portugal. Continuo preocupado com isso e penso que todos devíamos estar.

Não se trata de direita ou esquerda, mas de defender valores que estes exércitos de alucinados do Twitter com Deus, Pátria e Família tatuado nos braços, partilhadores compulsivos de whatsapp, críticos cegos de todo o jornalismo e toda a ciência parecem querer atacar, seja em americano, em português do Brasil ou em húngaro. Trata-se de defender o respeito e a decência acima de qualquer ideologia política.

Hoje metade do Brasil sai à rua a favor de Bolsonaro. Seja porque vêem nele o salvador (do quê?) que Deus lhes enviou, ou o que vai livrar o país e o mundo do comunismo que se espalha por todo o lado e conquista o mundo, o salvador das elites que controlam tudo e querem fazer dos nossos meninos meninas e das nossas meninas meninos.

É tudo uma alucinação ridícula, mas demasiado verdadeira. Trump provou-o. Bolsonaro não é Trump, assim como o Brasil não é igual aos Estados Unidos, mas o desafio será o mesmo: defender a democracia e a verdade.

Esperemos que o resultado seja o mesmo do dia 6 de Janeiro no Capitólio e que a conspiração e o autoritarismo saiam derrotados.