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Vilipêndio

O Verão deixou-nos

 

Depois dos Sócrates, das troikas, de Junckers e Merkels, depois dos Novos Bancos e das Caixas mal-paradas, eis que nos acontece algo realmente surpreendente. Fomos finalmente abandonados por aquilo que nos fazia especiais e por aquilo que pensávamos que nos era eterno: o calor. Não o humano, que esse continua (caro) por cá, mas o calor verdadeiro, o literal, o calor que faz suar e tirar a roupa, que nos faz beber água e querer mergulhar nela também, que nos dilata as artérias e as vontades. 

Sempre fomos este país, que não era mau mas ficava longe dos melhores, esta nossa muito nossa mediania, sempre olhámos para os outros com vistas de baixo para cima, invejando, almejando o que eles têm a mais que nós. Mas também sempre conseguimos dizer-lhes que, na falta do óbvio, ao menos tínhamos o sol, um velho amigo infalível. Tínhamos o calor, as noites de verão em que o sol estar ou não estar pouca diferença fazia na temperatura, praias que obrigavam a passar uma tarde de refastelada preguiça, bronzeados que apagavam as dores da vida.

E agora tiram-nos isso. Com que direito?

Como lidar agora com esta mediania se não há nada que nos faça esquecê-la? Que resposta dar a quem pergunte "mas que raio estás tu, com a tua idade e currículo, ainda a fazer em Portugal?"

Tragam lá o Verão de volta antes que comecemos a pensar seriamente nisto. 

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