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Vilipêndio

Vilipêndio

17 de Julho, 2021

O inferno parece aproximar-se

vilipêndio

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Diria que o futuro será coisa de extremos. E os extremos serão desde a política, onde a gritaria e as posições à direita e à esquerda se tornam mais radicais, ao ambiente, passando pelas nossas vidas quotidianas.

De todos, contudo, há um que nos devia automaticamente paralisar e fazer questionar tudo à nossa volta. 

As cheias na Alemanha, cujas vítimas já ascendem a mais de uma centena, são um fenómeno recorrente noutras latitudes do planeta. Ocorrem há anos com cada vez maior intensidade, já levaram aldeias e mais aldeias, vão a caminho de levar ilhas, países inteiros, para debaixo de água, como se os devolvessem ao seu dono original.

Os extremos meteorológicos só não nos serão um choque porque vão acontecer, e já acontecem, de forma muito gradual. Mas o gradual tem várias velocidades e este nosso gradual é rápido no que toca a velocidades deste calibre. O registo de fenómenos metereológicos extremos irá aumentar nos anos e décadas que aí se aproximam e a resposta que iremos dar a isso definirá não uma geração mas todas as gerações, dir-nos-á se preservamos a nossa evolução como espécie ou se, por outro lado, será o início do nosso fim.

É urgente ouvirmos o planeta, a ciência e o grito silencioso de milhões de seres humanos e animais de todos os tamanhos.

Alguém nos enfiou na nossa teimosa mioleira que somos bicho tão perspicaz, resiliente e adaptável que nos tornámos invencíveis. Evoluímos tanto que arranjaremos certamente forma de dar a volta a esta situação dramática e reinventarmo-nos como espécie, fazemo-nos crer.

Contudo, esquecemo-nos, porque temos curtas vistas e o céu é longe demais, que ter todos os ingredientes para fazer uma sopa em nada ajudará se não tivermos panela onde a cozinhar.

Precisamos de um planeta para o poder salvar.

Não podemos só acordar realmente quando parte do planeta estiver inundado, ardido, seco, gelado, não podemos olhar para o Bezos ou o Branson e achar que, quando destruírmos este planeta, partiremos logo de seguida a ir destruir o seguinte, como se tivéssemos descaradamente a assumir que, de todos os sete biliões de humanos, haverá uns que valerá a pena salvar mais urgentemente ou que, no fim, só quem tenha possibilidades de pagar um vôo num shuttle espacial merecerá ser salvo. 

Somos filhos do planeta Terra. Foi aqui que evoluímos durante milhares e milhares de anos, tudo no nosso corpo e mente está em sintonia com esta linda bola, colossal mas complexa. 

Comecemos a salvá-la ontem, porque hoje o que parece é que o inferno vem aí. 

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