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Vilipêndio

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28 de Junho, 2021

O futebol como a vida

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Valentes fomos certamente. Imortais nem tanto. Embora o tiro tenha sido apenas um, frio, seco e eficaz. 

No final, não ganhou o melhor. No final, o que acontece sempre voltou a acontecer:  os mereceres não valem de nada, a realidade quase nunca é o que se esperava e a bola nunca entra quando devia.

Esperei muito daquele remate final do Félix. Pensei que pudesse estar ali o pontape definitivo na carreira de um miúdo que nao queremos que chegue aos 30 anos como uma promessa. Quero muito que se afirme como a potência futebolística que é, muito embora o cumprir de uma expectativa seja bem mais complexo que o simples correr com uma bola nos pés.

A sorte não teve connosco mas nem Ronaldo resolveu, nem Bernardo surpreendeu, nem Jota encontrou a agulha no meio do palheiro, nem Moutinho magicou, nem Bruno Fernandes mexeu. Pouco deixa marca neste jogo para além de um Pepe surrealmente em forma e imperial e um Renato que corre por quatro ou cinco, apesar da selecção ter sido mais equipa que os belgas, ter tido mais oportunidades e mais vontade. 

Mas no final, a bola bateu no poste e o zero ficou ao lado do um. E assim ganham os outros. 

O futebol não deixa de ser o mesmo caos da vida, a mesma aleatoriedade, o mesmo bater no ferro.

Houve jogadores que pareceram chegar a este campeonato abaixo de forma, carregados por épocas exigentes em equipas muito exigentes de campeonatos tremendamente exigentes. Bruno Fernandes é um dos maiores exemplos. Mais irritação que brilhantismo, mais vontade que qualidade, pouco mostrou quando quiçá mais queria mostrar. 

André Silva chega como segundo melhor marcador da liga de Lewandowski e não mete a rede a mexer neste Euro, Patrício defendeu tudo como sempre e não teve a estrelinha que lhe permitiu que o seu único erro, no golo de Hazard, não fosse o erro decisivo. 

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Palhinha é, porventura, a revelação do Europeu para a equipa das quinas, impôs-se num palco gigante, porque foi gigante, e isso não é fácil, de todo. Vai ser interessante ver a sua evolução, é um jogador fortíssimo do ponto de vista físico mas que a isso junta um belos pés, tal como Renato. 

Esse mesmo, o Renato que me fez saltar do sofá varias vezes neste Euro, ganhou lugar vitalício. Vai ser difícil tirar o médio do Lille desta equipa enquanto mostrar a garra que leva consigo e a força que impõe no meio-campo. 

De resto, há jogadores que são capazes de não voltar a jogar numa montra destas, há outros que teremos de ver como o tempo molda, e Fernando Santos parece ter o lugar assegurado para o Mundial, pelo menos. 

Quanto a Ronaldo, devem ser poucos os que crêem que foi a sua última competição. A sede é sentimento complicado, nunca deixa de existir, apenas vai sendo por vezes saciada. 

Os campeões da Europa vão deixar de o ser. Esta geração futebolística já teve o seu apogeu. Veremos quantos anos teremos de esperar para podermos festejar novamente uma conquista como a de 2016.

Venham os Jogos Olímpicos. Venham todos os outros heróis, silenciosos mas igualmente valentes.