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Vilipêndio

O dia de quem a tem

 

Uma mãe faz a falta que o oxigénio faz à vida, a sua ausência não se explica por nenhuma ciência, e se um dia específico criaram para a sua celebração não há adjectivo nem substantivo que defina todos os outros dias em que ela já não existe, esta estrada que ela já não percorre. Não há textos que resolvam nem aceitações que enterrem a dor de já não ter quem mais interessa, a primeira pessoa de todas, aquela que nos abriu as portas do mundo, de tantas formas como possíveis.

Todos a têm, na fria prática, mas há quem nunca a tenha deveras tido, e isso são lacunas que desmentem a própria vida, mas quem tenha tido a sorte de chamar mãe a outro a ser humano, sabe que, no momento em que essa palavra deixa de ter uso, parte do presente desfaz-se á nossa frente. Não ter mãe é caminhar sozinho, essa triste sina, e contar apenas com as memórias, essa frágil fronteira entre o real e o imaginado.

Mas que todos os dias, mesmo este, sejam de memória e celebração. Porque uma mãe não morre, não deixa de existir, não desaparece nunca. Apenas deixa de ser visível a olho nu. 

 

Este é o meu post 100 neste blog. Não sei bem quem me ouve, a quem chego, e que palavras tocaram ou tocarão alguém que as leia. Sei que este post faz todo o sentido ser dedicado à minha mãe, e a todos que já o leram, comentaram e apreciaram. Aproveito também para deixar um obrigado ao Sapo pela oportunidade que nos dá de mostrar a nossa voz. 

Leiam muito. Escrevam também. E todos os dias dêem um beijinho à vossa mãe.