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Vilipêndio

Estados Perdidos da América, etc...

Volto a deixar este post que debitei aqui em Novembro do ano passado e faço-o porque as palavras que o escrevem me parecem bastantes actuais. E essa actualidade, essa absurda actualidade, imposta sob os corpos de demasiados inocentes, não parece querer deixar de o ser. 

As palavras, e o facto de as usarmos para falarmos, nem sempre nos chega, mas pior que isso é saber que, para sermos ouvidos, nem morrer nos chega. 

 

 

 

Gun Country, Michael Murphy

 

É difícil imaginar quão árdua será a tarefa de se ser americano e, ao mesmo tempo, ter um cérebro funcionante. A dor excruciante de ver pessoas a morrer sem fim apenas porque um lunático, um mal que contrariamente à opinião de alguns americanos chega a todos os países do mundo, tem acesso livre a um verdadeiro arsenal legal de armas. Em autênticas lojas, no meio de uma qualquer rua. 

Tal como a maioria dos assuntos políticos que brotam actualmente, este só faz crescer uma vontade de reagir pelas vidas que se perdem no meio do processo. Aquilo que realmente interessa neste jogo de vontade e poder, de tudo e de nada.

lobby das armas nos Estados Unidos é tão forte que é imensuravelmente forte. É impossivel compreender a existência de um interesse maior que o próprio governo americano, que ultrapasse a barreira do voto público e se torne intocável mesmo por cima do sangue de tanta gente. Contudo e infelizmente, apenas isso justifica a total ausência de legislação num país que já teve presidentes de todas as vertentes políticas. Que por ali, diga-se, não são assim tantas.

Todo este assunto só seria realmente incompreensível se não se tratasse do país que, entre fake news e empurrões do lado Putin da Força, fez eleger uma coisa chamada Donald Trump. Mas como o país é esse mesmo, resta-nos ter pena daqueles pobres coitados que levam um cérebro em cima dos ombros.