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Vilipêndio

As rasteiras da Evolução

 

A nossa evolução como espécie inteligente e autoconsciente foi um processo muito lento, iniciado num mundo antigo, e contou com milhares de anos de aprimoramento, repletos de pequiníssimas afinações genéticas e comportamentais, de lutas contra o destino e a extinção, de novos mundos descobertos e terras conquistadas. Depois de, com todo o nosso brilhantismo, termos chegado á Lua e termos inventado a penicilina, a Ressonância Magnética e a Bimby, atingimos agora um ponto bastante importante na nossa história. Se realmente não existem erros nesta teoria, a que diz que nos aperfeiçoamos contínuamente, então tudo o que fizemos foi para aparentemente chegarmos aqui.

 

Quando eu era criança, as marionetas eram para mim motivo de fascínio. Por vezes, eram feitas com tamanho primor que pareciam pessoas reais. Era esse o seu principal objectivo, está claro: enganar o olhar. Mas até nas marionetas, tal como em tudo o que fazemos, demos um passo em frente. Agora as marionetas somos nós todos. Bichos reais e de carne e osso. 

E como nós gostamos de o ser. Temos trabalhado arduamente para aqui chegarmos. Foram alguns anos de germinação desta nossa sociedade actual. Agora, sinto que estamos no seu apogeu. Devoramos notícias e pseudo-notícias misturadas no mesmo cocktail, consumimos horas de informação sobre nada, discutimos durante horas na internet sobre nada, dizem-nos qual o restaurante onde ir e o filme que ver, vivemos tudo e passamos ao lado de tudo porque somos guiados em todos os caminhos. Principalmente, no que gastar. Se criam um dia para gastar muito dinheiro, mesmo que muitos itens sejam a metade do dobro do preço, então nós vamos seguramente gastar muito dinheiro. Somos gente bem mandada.

 

Mal sabia o Darwin, quando nos imaginou todo o passado,  que o nosso futuro seria deixarmos de pensar pela cabeça.

 

Fotografia: Impala.pt

 

 

Autor desconhecido

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