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Vilipêndio

A minha avó fez 80 anos

 

 

A matriarca da família cumpriu 80 anos e nós fizemos a festa de acordo com isso. É um número que merece respeito e celebração. São oitenta mas parecem mil, a nós que tão poucos quilómetros temos no contador. 

A minha avó é antiga, cromo de uma colecção que já não corre, é fruto de uma época que foi e já não é mais. Viver uma infância numa aldeia de Braga nos anos 30 do século passado é coisa dificil de imaginarmos. Mas ela, mesmo podendo, e como toda a sua geração, faz questão de não nos encher até à exaustão de tristezas passadas, de um viver que não lembrava em quase nada deste nosso viver. Mas podiam fazê-lo. Passaram por mais obstáculos que a maioria de nós, conheceram inimigos que nos são desconhecidos e o que conseguiram foi, quase sempre, com mais suor na camisolas e montanhas maiores para escalar. Mas eles já não se aborrecem com isso e querem só aproveitar o que agora têm. Felizmente a minha avó tem ainda todas as capacidades que lhe permite aproveitar esse agora, ao contrário de muitos que, no acaso e mal-trato da doença, vão perdendo gradualmente a sua identidade e personalidade.

A minha avó fez oitenta anos e não há forma de imaginar a sua ausência. Mas todos a aceitamos, sabemo-lo desde tenra idade, a sua finitude é-nos visível pelas traços vincados na cara, a voz vivida e os olhos cansados. É, por isso, e como tudo na vida, algo que devemos aproveitar até ao seu âmago, cada pedaço, cada segundo. Porque cada um desses momentos vale mais que todo o ouro que há no mundo.

Parabéns avó!

E já que pedir não paga imposto, que vivas mais oitenta se puder ser.

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