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Vilipêndio

A demência do Facebook

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Poucas coisas serão mais angustiantes que vermo-nos rodeados por zombies do scroll, sentados numa mesa em que todas as cabeças estão baixas e mortas, aparentemente mortas, é impossível de saber porque ninguém dá mostras de vida. Esta é a doença do século XXI. Pode ser, como muito gostam de chamar, a doença viral do século XXI. 

 

Ainda assim, o Facebook parece iniciar, como qualquer astro que sobe bem acima do céu, a sua fase de auto-destruição. E é bom que assim seja. A dimensão e o campo de gravidade atingiram um ponto máximo, as raízes já nem se vislumbram, esta é a história de um site que passou de site a empresa e de uma empresa que passou a jogador político, e logo do mais alto nível. A influência que o Facebook, e a partilha cirúrgica de informação e contrainformação, tiveram na vitória de Trump nas presidenciais americanas é espelho perfeito da manipulação que nos permite explicar, em parte, a sua eleição. Por muito que pareça um angelical estudante universitário, Zuckerberg será sempre o homem que vendeu os dados de mais de 80 milhões de pessoas para proveito de agentes políticos de reputação bastante duvidosa. E mesmo que a história seja bem mais intrincada que isto, será esta a narrativa da História. 

 

O Facebook pode ter uma base totalmente benigna e socialmente positiva, mas a utilização em massa e ao segundo tornaram aquilo que seria uma excelente plataforma numa espécie de segunda pele. fizeram da vida um palco de cacofonia, de opiniões mascaradas pelo anonimato, ressabiamentos, falsas notícias, falsas verdades, de uma perversão egocêntrica do tamanho do mundo. O nome do bar, a rua, quem foi, o que se comeu e o que se bebeu, que pontuação merece o restaurante, tudo isso são coisas que nunca interessaram. E a razão é simples: porque não interessam. Há quem já não saiba o que é o quê. Se o gosto é igual ao gostar, se a foto é o mesmo que o olhar. Ou se o verdadeiro é mesmo verdade.

 

Mas que tudo isto tenha sido um percalço no caminho, e que as cabeças se voltem a levantar, e ganhem vida.

 

 

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