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Vilipêndio

Vilipêndio

29 de Janeiro, 2024

Habitação e tudo o resto

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São precisas medidas rápidas e eficazes de redução das rendas em Portugal. A dignidade da experiência humana não permite a caminhada de mãos dadas com a voracidade do mercado, a habitação deve ser um direito de todos.

O que se passa nas grandes cidades do país tornou-se um autêntico pesadelo, uma epopeia sem comparação. 

Não são parasitas, nem vermes nem subsídiodependentes nem preguiçosos, são apenas pessoas, histórias de quem ficou para trás na desumana competição em que têm colocado toda a sociedade na luta por um tecto sobre a cabeça.

De estudantes a idosos, passando por professores ou artistas. Todos continuarão a lutar.

Foi bonito no sábado, mais desses virão enquanto o que se passa continuar a passar-se. 

14 de Janeiro, 2024

Um desastre chamado AD

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📷 Fernando Veludo, LUSA

Cresci numa casa onde a figura de Sá Carneiro ocupava quase o lugar de Deus, porque este ultimo há muito deixara de ser figura, e onde a memória desse PSD e desses anos era frequentemente recordada. Apesar de, ao longo do meu caminho, ter seguido caminhos ideológicos e políticos diferentes disso, não deixo de ter um tremendo respeito por figuras como Sá Caneiro ou Freitas do Amaral, pelo lugar que ocuparam no crescimento da democracia no nosso país e pela sua elevação e respeitabilidade.

Contudo, em 2024, tudo está diferente. Os tempos são outros, a nossa democracia está em mãos diferentes, e a Aliança Democrática que nasce para estas eleições é uma AD bastante diferente.

Para além da liderança fraca de Montenegro, do vazio da presença, parcos argumentos e muito pouco carisma, o PSD chegou nos últimos dias ao ridículo de se ver aliado com uma autêntica nulidade política como Gonçalo da Câmara Pereira (que quer Portugal fora da UE, entre outras larachas) e de ver o seu líder imitar no dialecto o lider do Chega. E esse é exactamente o partido que mais teremos de abordar quando falamos do definhar do PSD.

O Chega ambiciona ser o principal partido de direita em Portugal e com muito jeitinho e com mais ajudas, não estará muito longe de o ser. Conseguiu sugar o conteúdo ideológico do PSD para si, extremando-o no caminho, mas atraindo muita gente que se sentia confortável no histórico partido social-democrata. O Chega fez barulho, teve um máquina bem montada por trás que está a dar os seus frutos. Na meteórica subida do Chega fica como triste efeméride a atenção dada pelos canais noticiosos a Ventura, mesmo quando ele pouco mais de 1% dos votos assegurava, para depois fazerem painéis de comentadores debater a inesperadíssima subida do partido. Mordemos todos o isco.

O PSD, como histórico partido do nosso panorama político, parece estar a ser engolido, devorado ao vivo. Não ficam dúvidas de que estará a ser devorado, em muitos momentos, por pessoas que fizeram parte dele e se alimentaram dele ao longo de anos. Muitas pessoas que vêm agora em Ventura o homem que queriam no seu PSD de sempre.

Como alguém de esquerda, é triste ver esta caminhada de um partido que sempre representou a oposição respeitável e democrática aos meus valores pessoais. Custa ver repetida a AD que tanto orgulhou a minha mãe há décadas atrás mas desta vez esvaziada ideologicamente, fraca, amputada e a correr atrás de um ex-comentador de penáltis da CMTV.

São os novos tempos e o PSD não parece ter prancha para estas ondas. Não nasceu para este mar.

Quanto ao CDS e a Nuno Melo, parecem ser versões políticas alternativas de quem nós todos sabemos. Apesar da muito maior experiência política, da maior capacidade argumentativa e com maior sentido de democracia, Nuno Melo parece hoje ser um remake de Ventura. E o CDS, um partido histórico do conservadorismo português e do debate democrático, viu-se vorazmente engolido pelo Chega, porque este soube atrair as bases mais católicas e conservadoras do eleitorado. Tudo André Ventura vai engolindo à direita. Os revoltados com o estado do pais, os ricos, os negacionistas, os saudosos do Estado Novo, os católicos e evangélicos. O Chega conseguiu fazer esta aliança PSD+CDS parecer-se muito a um último suspiro antes da morte e isso é gigante para um partido nascido há uns poucos anos.

Tudo isto tem ares de fim de ciclo, ares de mudança completa de panorama, pelo menos no que à direita portuguesa diz respeito. Todo o eleitorado à direita terá que escolher, algures no futuro, se é a favor ou contra Ventura. Vimos o mesmo acontecer em já incontáveis países no mundo.

Dito tudo isto, fica também bastante evidente que as eleições que aí estão a chegar poderão negar o que aqui está escrito e poderão mostrar que a AD é uma aposta com capacidade de bater-se com o PS de Pedro Nuno Santos e fazer real sombra ao Chega.

Poderão tornar ridículo todo este texto. E essa é a coisa bonita sobre isto da democracia.