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Vilipêndio

Sobre o tempo

 

Pode-se dizer que somos um ponto microscópico no Universo, mas isso já sabemos, não somos mais que um pixel fora de sítio num fundo branco. Podemos também dizer que vivemos uma ninharia do tempo quando comparamos o tempo com o outro tempo, das outras escalas, o tempo da física quântica, e no fim de contas podemos dizer tudo hoje em dia, todas as possibilidades são realistas, e já que falamos em escalas, que formigas somos nós nesta escala geral, e tal como as formigas, estóicos nos vamos batendo, mais crentes do que sábios, todas as histórias e todas gentes e todas as guerras e todos os dramas, tudo isto que é só uma pequena deformação que deixamos no tecido do espaço-tempo, um desvio de luz quase invisível, uma pequena lomba na infinita estrada da relatividade, pequenos átomos juntos uns com os outros que se fizeram bichos com o passar dos largos anos, bichos grandes e pequenos, nadando na água ou caminhando fora dela, uns com mais pêlo do que outros, uns mais espertos e outros menos, todos gozando a vida pela sua inevitabilidade, não entendendo nada do que nela se passa, não enxergando motivos nenhuns para isso, vamos porque enchemos as barrigas e porque fecundamos o que for preciso para amanhã haver ainda uma história para contar.

Os Euros e os Robles

 

É inevitável falar do caso que abre oficialmente a silly season, contudo não quer isso dizer que alguma coisa de verdadeiramente útil se possa acrescentar à discussão, que vai longa, por vezes suja, por vezes escusada, como bem sabe alimentar esta imprensa que já só é um fantoche nas mãos de interesses cada vez mais vastos e obscuros. 

 

Mas, agora, em relação ao belíssimo tiro no pé de Ricardo Robles, o que tenho para dizer é que nunca pensei chegar a um dia da minha vida e sentir que vivemos num sketch de Gato Fedorento. O político que assenta toda a sua campanha na luta contra a especulação imobiliária enquanto reabilita um prédio inteiro para o vender por mais de 10 vezes o valor que lhe custou quatro anos antes. Quase imagino o Ricardo Araújo Pereira a fazer de Robles, beto rico que vai brincando às políticas, da mesma espécie que boa parte de quem ali anda.

Ao contrário de Sócrates, o esquecido, a quem são dirigidas acusações de verdadeiros crimes, com Ricardo Robles não é disso que se trata, mas sim de moralidade. Fala-se tão pouco nela que tenho dúvidas que ainda exista. Resta-nos decidir qual é a pior, o crime do enriquecimento ilegal ou a falta de moral do enriquecimento legal.