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Vilipêndio

O mundo vai ficar mais quente

 Oito anos depois de elegerem Obama, os americanos voltaram a votar e o resultado está à vista. Depois do primeiro presidente negro, o primeiro presidente acéfalo.

No meio deste caos que é a eleição de Donald Trump para Presidente dos EUA, a única coisa que me deixa realmente preocupado é perceber que, a partir de agora, quem estará à frente da nação mais poluídora do mundo (a par com a China) é um homem que se recusa a aceitar as alterações climáticas, que fez campanha contra toda a ciência que explica e fundamenta o aquecimento global e que, das centenas de milhões de euros que aufere, muitos têm origem em empresas e multinacionais que exploram combustíveis fósseis e afins.

Este é o facto desolador no meio de todo este festival de non-sense que foram as eleições americanas. Quem chega agora à Casa Branca não é apenas um mau político. É, acima de tudo, uma pessoa sem inteligência com uma mentalidade assustadora, retrógrada, quase demencial. Trump não tem visão política que chegue sequer perto de ser aceitável para o cargo que agora é seu, mas resta-nos ficar com a esperança que não vai levar avante grande parte das medidas que anunciou, tal como Obama não conseguiu. 

É ao pensarmos sobre isto que entendemos que, de facto, nem sempre o mundo anda para a frente, como muitas vezes gostamos de pensar.

O resto, são só os americanos a dar tiros nos pés. E eles gostam tanto de tiros que vamos deixá-los estar.

PS - Quando é que acaba isto de se chamar América a apenas um dos 35 países do continente americano?

 

O Porto é só o Porto

 

Passei uns dias no Porto, a semana passada.

Fui de avião pela primeira vez e a sensação é a de que entramos numa máquina de teletransporte e estamos no Porto no mesmo tempo que demoramos a fazer Estádio da Luz - Campo Grande pela 2ª circular na hora de ponta. 

Tal como Lisboa, o Porto já recebe largos milhares de turistas, seja em que altura do ano for. Está na moda, porque é assim que deve estar. Apesar de haver aspectos menos positivos deste turismo (como a visita que fiz à livraria Lello, onde, para além de uma fila enorme para comprar bilhete e outra fila enorme para entrar, pouco se consegue fazer lá dentro senão desviarmo-nos de turistas armados com uma câmara), o Porto consegue preservar, melhor que na capital, o seu património histórico. E este património que falo é mais que monumentos e museus: são todas as lojas e lojinhas que se mantiveram com a estrutura e aparência originais mas totalmente adaptadas à realidade actual. Livrarias centenárias (com fachada original e interiores intocáveis) transformadas em bares, fachadas de prédios remodeladas sem se tocar em qualquer linha da sua verdade.  

Gosto também das gentes do Porto, do seu à-vontade com o desconhecido, da descontração com que parece que olham para o ter que viver. Gosto de entrar num bar e não parecer que estou a chatear quem lá trabalha. Gosto de ir no autocarro e de ver a senhora de meia idade ao meu lado meter-se na minha conversa. Sempre tive a sensação que a simpatia na nossa mui-estimada terra vai desaparecendo à medida que o Norte se transforma em Centro, até chegarmos ao Algarve, onde a simpatia parece medir-se pela língua que falamos. Como qualquer generalização, esta não serve de nada. É só uma ideia que tenho. 

Mas não consigo esconder que no Porto dá-me sempre a sensação que as pessoas gostam de pessoas, e tão simplesmente isso. Aqui, nesta Lisboa cheia de tudo, não dou de caras com isso tão frequentemente.

Há muito a aprender com esta Invicta, tão bem cuidada na sua história e tão bem evoluída neste presente.

O acaso

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 Ilustração Coincidence or Chance | Christophe Marques | 2016 | instagram.com/not__from | 

 

O futuro incerto é quem nos dirige

neste viver involuntário

mas único,

é o que nos faz andar sem ver,

ignorantes do passo que se segue.

 

Tudo ser obra do acaso

é o que torna isto ainda mais especial.

-

Para ser completo chega-me

o gesto não ensinado de respirar

e o de ver o que vem à minha frente.

 

Sou viciado neste acaso

que nos faz viver na beira de uma piscina,

sem água, cheia de sonhos

pintada com um fundo de incerteza,

e de um azul que é azul

e algo mais.

 

O acaso existe,

e não é por acaso.