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Vilipêndio

Portugal falhou-te, David.

Algumas horas depois de sabermos, tristes nós, que temos mais um Banco na nossa lista de pagamentos para os próximos tempos soubémos que se deixou morrer, num serviço hospitalar central e público, um jovem de 29 anos, à vista de todos e de ninguém, por uma incompetência que é generalizada.

Esta incompetencia não é das pessoas, é do país. Não é do medico, do enfermeiro, do recepcionista, do electricista. É de todos. Em Portugal está tudo organizado de forma a que isto se pareça realmente a um país, normal e eficiente, e pensamos o dia-a-dia como se houvesse ponta de razão nisso. Mas não há. Somos um país falhado e que a cada dia que passa mais falhado é. Feliz Natal? Difícil.

Ano 80 D.P.

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Ilustração Christophe Marques 2015 @ behance.net/christophem

 

13/jun/1888 - 30/nov/1935

 

Comemorar a morte do Pessoa é admitir que ele existiu. E quem dera a alguém poder faze-lo. 

Mas continuemos a nossa viagem em busca dele e prossigamos a nossa vida achando que ele já não a escreveu, como escreveu a cidade que pisamos e a lua que miramos.