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Vilipêndio

Tragam os verdadeiros Gato de volta

Tornaram-se, nos últimos tempos, na principal, ou mesmo única, imagem publicitária da Meo. Todo o tipo de anúncios, com grandes investimentos por parte da marca e, obviamente, chorudas recompensas aos quatro protagonistas. É vê-los cantar, dançar, gesticular, embarcar em grandes aventuras, tudo em nome do novo telemóvel ou tablet, ou lá o que quer que seja novo, caro e extraordinariamente inovador na altura. Infelizmente, da piada, que consiste - creio eu - no principal objectivo do spot publicitário, nem rasto. E é facil surgir com a explicação: porque é um anúncio. 

Durante anos deram vida, em sketches, a um sem-número de situações do dia-a-dia, onde aliaram excelentes guiões com o puro non-sense e o ridiculo, fazendo jus à assumida inspiração nos britânicos Monty Pyton. Tiveram, depois, breves - e não tão brilhantes - incursões pelo comentário politico, onde fizeram, em diferentes formatos e ainda com bastante sucesso, uma série de sátiras mais direccionadas para os desenvolvimentos diários na sociedade e politica portuguesas. E depois disso, refugiaram-se no Meo. Como pensaram eles que iriamos achar piada ao que eles por lá fazem?

Não podemos, obviamente, exigir a quatro pessoas que voltem a trabalhar juntas, fazendo o que provavelmente já não as interessava mais num formato esgotante. Mas, caramba, nao nos façam, então,aturar dezenas de anúncios para uma marca que - diga-se - monopoliza grande parte do cada vez menos interessante espaço televisivo português. Os frutos para os quatro, inegavelmente altos, mas, fazendo a brincadeira durar mais do que devia atingiram, há muito, o ponto onde mora o fim.

Voltem, a sério, ou não voltem de todo, rapazes. 

 

A maior das forças

Voltemos aos animais.

Formigas. O mais aborrecido dos bichos. Sempre à espreita de qualquer rasto de açucar do açucareiro ou apenas porque o seu caminho cruza-se com o nosso, na casa de banho ou na varanda, no verão ou no inverno. Pequenas, para nos darem cabo do juízo. E, pior que tudo, cobardes porque teimam em fazer-se acompanhar de uma centena de amigos. Quem poderia gostar de tal bicho?

Nunca pensei em muito mais além disso no que a formigas diz respeito. Mas estava errado, ah! se estava. O documentário Ants: Life Inside the Colony é um bilhete gratuito para uma viagem alucinante, com destino ao mundo de um dos insectos mais pequenos e aquele que existe em maior número, em todo o planeta.

Formigas. Quem diria? Um autêntico mundo dentro deste nosso outro, e maior, mundo. A organização, a complexidade, a eficácia e, acima de tudo, a união de centenas, milhares de pequenos bichos numa estonteante continuidade de operações e tarefas, que só nos pode surpreender. E ensinar. Como poderão estes bichinhos que nos habituámos a ignorar ensinar-nos tantas e tão valiosas lições? É aquilo que alguns cientistas tentam entender.

Lembre-se, da próxima que vir uma destas, estará a vir ou a ir para uma destas megalómanas construções subterrâneas. Ou, então, pode estar perdida. Aí já não tem tanta piada.

Uma viagem alucinante mascarada de uma verdadeira lição, este mundo das formigas.

 

 

Crescemos, mas pouco

 

Ilustração "Barcode Evolution"de Richard George Davis 

 Existe há milhares de anos, começou na forma de trigo, passou por gado, chegou a ser pedras e outras coisas que o caminho nos dava.
Até nos chegar o papel. Verde nuns sítios, policromado noutros. Ele existe para trazer ordem, foi criado porque os agricultores primitivos parvos não eram: eu dou-te isto, mas tu dás-me aquilo.

E assim se deu a maior das transformações sociais na nossa História. Podemos acreditar em deuses diferentes, comer o que outros consideram sagrado, viver sob diferentes sóis e diferentes luas e teremos sempre esse ponto de encontro.

Cada geração que criamos e que por nós passa traz cores novas ao mundo. Mas a cor do dinheiro, essa, é a mesma. Há séculos.

Há quem, por ele, viva e respire. Dele vem a felicidade, asseguram.
E, com isso, chega o fim e connosco levamos nada dele e tudo de nós, que perdemos no entretanto. Crescemos, mas pouco.