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Vilipêndio

Soltos

sou um sortudo 

cheio de um azar imaginado, 

levado pela consciência  

e pelo rodar do mundo 

a pensar para lá dos meus olhos 

numa fuga à razão 

sabendo que o que virá 

acabará por vir 

como um vento 

sem tempo 

 

como se um amanhã houvesse  

e se fizesse 

senão no nosso imaginar 

 

Santo o que se conhece  

e que se apodrece, 

na ânsia do saber 

na pressa de não perder, 

correndo para trás 

ele não sabe o que esquece 

 

As letras não seguem o meu juizo, 

vivem por si, 

apêndices meus, 

soltos, 

imposições para uma mera existência, 

 

queria escrever-me, 

sem fim nem espanto, 

ignorar todos os inícios e os fins 

e escrever todo aquele entretanto 

numa folha de papel em branco