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Vilipêndio

Sandes mistas de areia

 

Vou para a praia para me sentir bem. Não peço praias virgens nem sequer grandes vistas ou mares quentes naquele tom de azul de filme. Apenas peço para me sentir bem. 

Acontece que fui à praia há uns dias e, munido da minha namorada, o que acabámos por ter foi um festival de pancadaria. Não falo de pancadaria entre veraneantes ou entre miúdos cujas férias da escola são grandes ao ponto de quase viverem na praia. Não. Falo de pancadaria de vento.

Já deu para perceber, desde há uns tempos para cá, que esse é o melhor amigo que o nosso verão arranjou. Parecem inseparáveis e quando vem um nunca fica o outro para trás. A meu ver, podiam deixar-se disso. 

Ao longo de toda uma bela hora de praia, tive o previlégio de comer, respirar, sugar, armazenar e absorver pelos olhos uma quantidade astronómica de areia. Era nos ouvidos, no cabelo, nos óculos, no livro e, pior que tudo, nas sandes. Conseguimos ainda assim, e apesar deste mano-a-mano com a natureza, ler durante uns três minutos e falar normalmente um com o outro durante bons cinco minutos.

No resto do tempo, foi o mais puro contrário de me sentir bem.