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Vilipêndio

Salvador da Pátria

Não vi um minuto do Festival da Canção que a RTP transmitiu ao longo das últimas semanas. Não por repulsa à ideia, apenas por falta de conhecimento e de atenção. Parece, contudo, que o vencedor foge ligeiramente daquilo que as últimas competições nos haviam dado. Será que veio, realmente, um Salvador? Custa acreditar que sim, por se tratar de uma competição que respira muita coisa para além de música e por se tratar, afinal de contas, de Portugal.

Mas vamos ao que interessa.

Descobri o Salvador num final de tarde de Agosto do ano passado, num Outjazz, algures numa Lisboa cheia de Verão. Na altura, e porque aquele Salvador era outro, nem me foi possível recordar o miúdo que havia aparecido nos Ídolos da SIC, quando aquele formato ainda era original. Chamou-me a atenção o tipo de música - um jazz latino misturado com uma onda muito blue, pop e única - e só pude continuar a ouvir. O que eu estava a ver era uma sessão de jazz comandada por um miúdo repleto de música e uma voz afinada. E que - espasme-se! - falava a nossa língua.

Quando soube do seu concerto no Olga Cadaval em Sintra agora em Março, tentei não me esquecer de ir. Não me esqueci e ainda bem, porque foi um concerto que teve a duração certa, a música certa, o ritmo certo. Tudo na voz certa. A voz de um rapaz que tem muito a crescer e a evoluir e cuja predestinação para o palco é evidente em cada música que acaba.

Salvador Sobral tem um sabor completamente diferente. A música portuguesa precisa disso, como precisa dos muitos artistas que têm aparecido nos mais diversos géneros, espalhados entre mundos musicais bem afastados. O jazz, o género que o Salvador tenta trazer à superficie, está há muito afastado do público mainstream e tem vivido sempre em ambientes pequenos e selectos. Mas a música, tal como tudo, é sem razão aparente. E tudo pode mudar quando se dá voz à voz certa.

Acredito que ele não precisasse do concurso da RTP para dar nas vistas. Contudo, isso acelerou um processo que era inevitável e cheio de mérito e, agora, está nas mãos dele fazê-lo crescer. Que nesse processo, ele se consiga manter original, alheio às vontades que não as da sua própria música, e que nunca perca aquele jeito de quem, ao cantar, está a viver um sonho. 

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