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Vilipêndio

Praxis Parvis

Foto de Paulo Pimenta

Agora que começam os anos lectivos nas faculdades é fantástico o que se vê em alguns dos mais emblemáticos espaços de Lisboa, nomeadamente a uma 5ª feira. Capas pretas, gente aos gritos, cantorias de todos os tipos, e muita bebida com teor alcóolico. De forma geral, vemos miúdos (e outros não tão miúdos) que parecem saídos directamente de um Sudoeste ou de um Paredes de Coura. Tirando a parte dos ovos e da farinha, o cenário é igual.

Visto sermos um país que gosta de criar assuntos sazonais para que depois nada de realmente importante se faça, somos capazes de ouvir falar em praxes nos próximos dias. Os telejornais são hora e meia e os chouriços não se enchem sozinhos.

Quando andei na faculdade, a praxe teve em mim a importância que me apeteceu dar-lhe, e juro que não foi assim tão dificil. Andar na rua de pijama com meia garrafa de tinto a repousar no estômago e a cantar músicas dos Quinta do Bill ou dos Xutos? Eu alinhava. Regras e gritos cheios de recalcamento, insegurança e sensação de superioridade? Isto já não conseguia aceitar. E assim que o dava a entender, partiam para outra, porque caloiros há muitos e os que falam muito são chatos.

A praxe é só mais uma manifestação da nossa sociedade fortemente hierarquizada e estratificada, é um espelho de muitos comportamentos quotidianos e que só são exacerbados por muito vinho e cerveja. Os olhares de baixo para cima, as faltas de respeito e os abusos não são características exclusivas da praxe. A diferença é que nessas situações deixamos de chamar praxe e chamamos "ir para o trabalho". 

A praxe não é um fenómeno extraordinário. Verdade seja dita: é do mais ordinário que por cá pode haver.