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Vilipêndio

Para ti, mana.

Hoje faz 30 anos que começaste a tua viagem à volta do Sol. Parece-me inconcebível ter existido mundo antes disso, ou que valesse a pena cá andar antes de seres e existires e, portanto, a história de tudo começa, para mim, quando decides ser mais um destes acasos.

Não creio que já tenha sido inventada a palavra, ou o conjunto delas, que consiga definir a relação de um irmão com uma irmã. Ou, neste caso, deste irmão com esta irmã. É tudo tão visceral, tão permanente, tão essencial que só existe explicação no que nos corre pelo corpo. O sangue que é o mesmo, o olhar que é só um e o coração que bate igual em dois corpos distintos. Não há sensação mais apaziguadora que saber que existe outro ser humano igual a nós, com as mesmas origens e saberes, num corpo diferente. 

Hoje, neste dia que é o teu, só quero pedir-te que andes sempre para a frente. Mesmo quando o mundo te manda no sentido contrário, anda sempre na direcção do Sol, daquele Sol que desde há 30 anos tem um brilho distinto, mais forte, mais especial. Segue o que o Duchamp disse e repete três vezes tudo aquilo que te diverte.

E peço-te, ainda, que agradeças o acaso da vida, porque é esse acaso que a faz valer a pena, mesmo quando nos parece ser só uma dolorosa aleatoriedade. 

Tu és, para mim, o melhor acaso de todos.  Sem ti sou só uma metade de nada.  

 

 

 

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