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Vilipêndio

O racismo em Portugal

American Denial 

 

PUBLICO - Racismo em português

O trabalho que o Público lançou, nas últimas semanas, relativamente ao racismo em Portugal é um feliiz oásis no meio da barulheira que tem sido a comunicação social impressa e, pior ainda, os media televisivos nos últimos (conturbados) tempos. 

O racismo em Portugal existe, é um facto. Todos somos capazes de o perceber, de o assumir como plausível. Contudo, este racismo é tão real quanto a ausência de diálogo que dele advém, assusta tanto ou mais que o simples facto de se conversar sobre ele. O resultado do estudo apresentado no caderno do Público revela que somos o país dos incluídos na investigação onde maior número de pessoas considera haver uma superioridade genética entre raças. O que fazer com este resultado? Assumi-lo como tão valioso como qualquer estudo, que pode ter ou não validade cientifica e significância estatística? Tudo é melhor ideia que ignorá-lo. 

O racismo em Portugal é histórico, de livro de escola, ancestral, do avô e do bisavô. Não se fala sobre ele, mas aprende-se com ele, de bem perto. Crescemos bem junto a ele, mas sem que daí surjam grandes conversas ou conflitos. E é por isto que, tal como boa parte de tudo, o racismo em Portugal é diferente. A estabilidade social (subjectiva, em alguns pontos) que se tem por cá deve-se a um maior grau de aceitação e inclusão nas ruas, nos centros comerciais, na vida normal mas que, percebemos agora, pode apenas ser resultado de um menosprezo tão profundo que pode até ser inconsciente. A aceitação do outro pode não ser resultado da assumpção de igualdade mas sim precisamente da ausência dela. Não és tão bom como eu, mas eu até aceito que sejas assim.

Há uma ausência de conflito numa divisão social que é histórica em Portugal, e isso faz diferença. Mas aparentemente não faz toda a diferença. 

Seremos, pois, mais racistas do que pensamos? 

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