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Vilipêndio

O Porto é só o Porto

 

Passei uns dias no Porto, a semana passada.

Fui de avião pela primeira vez e a sensação é a de que entramos numa máquina de teletransporte e estamos no Porto no mesmo tempo que demoramos a fazer Estádio da Luz - Campo Grande pela 2ª circular na hora de ponta. 

Tal como Lisboa, o Porto já recebe largos milhares de turistas, seja em que altura do ano for. Está na moda, porque é assim que deve estar. Apesar de haver aspectos menos positivos deste turismo (como a visita que fiz à livraria Lello, onde, para além de uma fila enorme para comprar bilhete e outra fila enorme para entrar, pouco se consegue fazer lá dentro senão desviarmo-nos de turistas armados com uma câmara), o Porto consegue preservar, melhor que na capital, o seu património histórico. E este património que falo é mais que monumentos e museus: são todas as lojas e lojinhas que se mantiveram com a estrutura e aparência originais mas totalmente adaptadas à realidade actual. Livrarias centenárias (com fachada original e interiores intocáveis) transformadas em bares, fachadas de prédios remodeladas sem se tocar em qualquer linha da sua verdade.  

Gosto também das gentes do Porto, do seu à-vontade com o desconhecido, da descontração com que parece que olham para o ter que viver. Gosto de entrar num bar e não parecer que estou a chatear quem lá trabalha. Gosto de ir no autocarro e de ver a senhora de meia idade ao meu lado meter-se na minha conversa. Sempre tive a sensação que a simpatia na nossa mui-estimada terra vai desaparecendo à medida que o Norte se transforma em Centro, até chegarmos ao Algarve, onde a simpatia parece medir-se pela língua que falamos. Como qualquer generalização, esta não serve de nada. É só uma ideia que tenho. 

Mas não consigo esconder que no Porto dá-me sempre a sensação que as pessoas gostam de pessoas, e tão simplesmente isso. Aqui, nesta Lisboa cheia de tudo, não dou de caras com isso tão frequentemente.

Há muito a aprender com esta Invicta, tão bem cuidada na sua história e tão bem evoluída neste presente.