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Vilipêndio

O paladar também conta

"O ano foi particularmente saboroso para Portugal"

António Costa, primeiro-ministro, Bruxelas, Dezembro 2017

 

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Falemos de sabores. Aparentemente são importantes. E falemos do que comemos. Antes de mais, há que dizer que o manjar não parece feito de fresco, nascido hoje, e a verdade é que de ontem também já não parece ser. O seu sabor é daqueles com mais antiguidade que ontem, subtraído das suas qualidades e cheiros originais. Sabe mal, digamo-lo. Tentarmos pôr-lhe algum sal ou um ou dois turistas como tempero, mas não evitamos que continue sensaborão. Mas nós comemo-lo, porque é coisa que precisamos para conseguir sobreviver e, assim, podermos dizer que não gostamos do que comemos. Passar fome não é sabor que queiramos, embora o que comemos seja já de qualidade duvidosa. Os sabores, esses, são de cada um e para cada um se regalar.

 

Ignorando sabores e dessabores, o que nos verdadeiramente estraga a refeição e a sua digestão é sabermos que quem nos cozinha o que comemos não vive na nossa realidade, de cá de baixo, e usa como instrumentos de confecção valores tão inóspitos que se torna impossível sabermos que sabor é este que saboreamos e aquilo que nos estão a dar de comer. Esperemos que, no final, não seja tudo um enormíssimo prato de nada, porque mesmo que se pareça muito a isso, não nos deixa morrer à fome. E isso tem que nos chegar.

 

Eu por mim continuava a falar de sabores, para comer não há grande problema em ser cego, mas aproxima-se provavelmente outra tremenda abordagem da vida nacional por outro interveniente político. São oportunidades fantásticas como esta que a política dá, principalmente quando tudo o que se faz é só um pequeno esboço de política.