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Vilipêndio

Não te demores, Zé

Zé, parece que te foste. Não sei se acredito ainda mas vou fazer um esforço. 

Será quiçá tarde demais, mas apetece-me dizer-te que a tua guitarra não se calará nunca, porque há acordes que o são para sempre e os teus acordes foram e serão vida, deram e darão cor a todas as vidas que existiram e existirão. 

Zé, não devias ter ido.  Nós por cá não sabemos bem o que fazer. Menos felizes, mas continuaremos com a certeza de um porto seguro criado por ti e os teus compinchas, uma luz que parece ficar pequena demais ao pé deste túnel mas que vocês, e tu com essas tuas mãos de ícone, nos ajudam a manter viva. 

Zé, vai lá, mas não fiques aí muito tempo. Vê lá se voltas e trazes a tua melhor amiga. Aquela com a qual escreveste histórias, alegrias e gerações inteiras. 

Estaremos cá à tua espera.