Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vilipêndio

Marcelândia

O actual presidente da República é, para mim e para todos que não o conheçam no foro pessoal, um político. Dos bons, crê muita gente. "Este ao menos aparece!", dirão outros. "Este só quer aparecer!", também se ouvirá.

E estando já na história da política portuguesa pós-Abril, Marcelo Rebelo de Sousa não passa apenas disso: de um excelente político. Contudo, muitos dos adjectivos usados para o descrever sofrem de um exagero normal de quem não está habituado a uma personalidade política com a força e a impetuosidade de Marcelo. 

A forma de comunicar é disruptiva por ser directa, faz aliar uma abordagem não convencional dos assuntos a uma vocação pedagógica inata, sem esquecer a constante sensação de movimento que transmite. Marcelo não se limita a fazer política, consegue também fazer a política. À sua maneira, seja certa ou errada, mas que é concerteza preenchida por uma racionalidade sem fronteiras. Marcelo prova que aparecer não chega, é preciso levar uma mensagem na bagagem.

Mas o confronto com a liderança dói. Ou, melhor dito, o confronto com a verdadeira liderança. Aquela que se faz ver por palavras que não estão vazias de sentido. Costa sentiu isso na pele, como todo o Governo. Criticar, agora, a posição que o presidente tomou dá a sensação de ser mais um doloroso reviver do falar para o ar, enquanto tudo arde. E arde tão literalmente que dói. Se há um sítio onde existe necessidade de pôr coisas e pessoas em cima de outras coisas e pessoas, esse sítio é Portugal. Fazemo-lo por vontade e tradição, ou apenas porque nunca nos ensinaram de outra forma. Levemos isso a sério então. Olhemos para os bons exemplos de cima, sabendo o que fazem bem e, acima de tudo, o que fazem mal. Porque para os maus exemplos não há jornais nem telejornais suficientes. Não há revolta que chegue.

 

O fazer, mesmo que seja para aparecer no primeiro plano do telejornal, não deixa de o ser. E quando falamos de fazer político, são poucos os que conseguem fazer frente à dimensão da mensagem que o presidente da República consegue transmitir de forma quase diária ao comum do cidadão. E ao Governo também, aparentemente. Através do simples acto de agir. 

A política tem sido construída em cima de frases feitas, promiscuidades e gestos pensados, e não de empatia, proximidade e comunicação. E, entre acertos e desacertos, essa é bem capaz de ser a mensagem política de Marcelo.