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Vilipêndio

Trump é mesmo verdade?

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Ilustração "Hilarious Trash"  | Christophe Marques | 2016 | behance.net/christophem 

O ano era 2008. No fim de uma década marcada pelos atentados em Nova Iorque, chegava, finalmente, a esperança. Um jovem negro, de origem queniana, aterrava na Casa Branca. Tudo era novo e a sua cara era, por aqueles dias, a fotografia perfeita do avanço do mundo ocidental rumo à igualdade. É fácil chamar a Obama o muro de Berlim desta geração. Cumpriu o sonho de uma enorme percentagem da população americana, ignorada e humilhada durante séculos, e que via agora uma nova vida pela frente e conseguiu trazer uma pequena bandeira branca para um país constantemente em conflito com o mundo e que se auto-intitula como o maior e melhor. 

Hoje, neste 2016, a realidade manda-nos de volta à casa de partida e o que vemos é um muro que não só está por ruir como corre o risco de crescer. Como foi possivel chegarmos aqui? O terrorismo justifica tudo, ou estará algo mais a acontecer?

É dificil acreditar que Donald Trump seja mesmo candidato a presidente dos EUA e que isto não é um filme de Hollywood de domingo à tarde. Isto está mesmo a acontecer e, num país onde é legalmente permitido passear por algumas universidades com um livro numa mão e uma AK-47 noutra, tudo isto é bastante preocupante. Trump é um enorme balde de água fria em cima de quem apenas quer continuar a andar para a frente. 

Se de um lado vemos um lunático narcisista e milionário, do outro vemos uma mulher que utiliza esse mesmo género como principal arma, a qual junta à maior arma que é o nome Clinton. Hillary, a provável vencedora, tem vindo a assumir o rosto da proliferação sistémica do corporativismo, embarcando por métodos pouco claros e que se faz subir a qualquer custo.

Trump e Hillary. Assim vamos. Duas individualides cujas visões políticas assemelham-se às de uma colher de pau mas que no meio da loucura souberam ser os menos loucos. Ambos são um retrocesso estrondoso a todos os níveis, mas o que mais preocupa é a falta de visão.

Nada trazem porque nada são.

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