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Vilipêndio

Black Mirror

Após passar por um jejum de vários meses (quiçá por falta de tempo, quiçá por falta de outra coisa qualquer) eis que me surge, de novo, uma série realmente marcante pela frente. A sensação é boa e a falta dela já se havia tornado quase uma angústia.

Black Mirror é uma série britânica que segue a premissa de uma história por episódio e isso, de início, pode-nos fazer comichão por acharmos que se perde a experiência de acompanhar a evolução de personagens ao longo de meses e anos. Mas, mesmo desconfiado, dei-lhe uma oportunidade. E não falhou.

Todos os episódios assentam numa personagem central (quiçá o maior trunfo da série pelas interpretações fantásticas por detrás da grande maioria delas), todas inseridas em realidades distintas mas todas situadas num futuro próximo deste nosso presente. Misturar ficção científica, drama, terror, suspense e não dar um tiro completamente ao lado é tarefa difícil e Black Mirror conseguiu-o.

 

Qual o futuro deste mundo cada vez mais tecnológico? Qual o nosso futuro?

 

São estas as perguntas que Black Mirror nos faz, recorrendo a complexos enredos e mostrando-nos possibilidades tecnológicas que, até esse momento, nunca se tinham revelado na nossa mente. Muitas destas realidades futuras alternativas são-nos apresentadas de forma assustadora e bastante negativas. Outras há que não é assim. É esta dicotomia entre o bem e o mal, eterna companheira da evolução tecnológica, que nos instala um sem-fim de questões e interpretações ao longo dos episódios. 

Ainda assim, é duro imaginar o nosso futuro como sociedade se continuarmos nesta escalada de dependência dos meios tecnológicos, vendo o equilíbrio saudável esfumar-se, deixando que tudo mude nas nossas relações com os outros e, acima de tudo, na nossa forma de estarmos com a pessoa que mora dentro de nós.

A evolução tecnológica é um processo que criámos de raíz e que nunca mais conseguiremos inverter. Mas terá coisas bastante positivas, e apenas isso, se a utilizarmos com o mínimo de sanidade mental. Coisa que, infelizmente, nos tempos de agora, não vai abundando.