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Vilipêndio

A propósito de uma saída

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"Estrelas decadentes" , Christophe Marques, 2016 | behance.net/christophem 

Hoje vai a votos o futuro do Reino Unido na União Europeia e, por conseguinte, o futuro da mesma. As muitas sondagens poucas respostas deram e a hora de verdade chegou. Seja o resultado a saída ou a permanência, é fácil concluir que esta União que teimámos em unir ao longo dos últimos anos está doente e parece caminhar até ao ponto em que vai deixar de o ser.

São muitos e complexos os problemas europeus: dinheiro, fronteiras, emprego, política mas acima de tudo as pessoas.

A constante chegada de milhares de refugiados às fronteiras da Europa, fugidos não se lembram de onde - de um inferno esquecido, sabemos - enche o mundo de uma vergonha inqualificável. Vemos pessoas cujas vidas foram interrompidas por conflitos sem sentido e cujo único desejo é o de ter a possibilidade de ser normal. Contudo, no que à força da União diz respeito, este tema não parece ser capaz de fazer abanar o edifício. Isso acontece quando passamos das fronteiras externas e passamos à Europa que sofre por dentro. É aí que o cimento europeu treme.

É desigualdade a mais para tanta estrela junta.

As divisões que se vivem dentro deste pequeno pedaço da Terra não são menos das que se vivem noutras terras do mundo. Mas nessas paragens, pelo que se ouve dizer, não existem assim tantas divídas e bancos para pagar e isso acaba por ajudar.

Projecto fundado com o intuito de fazer avançar a Europa em direcção a um futuro com toda a pompa, a União Europeia é agora uma evidente tentativa falhada. A receita aplicada nos últimos anos aos países sob assistência financeira da troika, sem se ouvir um pedaço que seja da voz e da opinião individual do cidadão, foi o inicio da derrocada da credibilidade europeia.

Não há ninguém que não considere a ideia central da UE um projecto essencial do ponto de vista social, económico e demográfico, mas as bases têm que ser distintas, as formas de actuar não podem cheirar tão pouco a democracia e os cidadãos têm que ser a prioridade de todas as prioridades.