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Vilipêndio

Sem voz

 

My Hand Over My Mouth

 

A abstenção é um fenómeno que interessa manter, para o bem dos que de votos vivem. 

Não interessa pôr-lhe fim, ou dar-lhe importância, ou falar sequer da sua existência.

Os números, que por não passarem disso mesmo, se ignoram e machucam, dançam à volta desta realidade alternativa chamada eleições. Não há um único responsável público, politico, governativo, parlamentar, institucional que vislumbre uma alternativa a este sistémico alheamento da população relativamente a processos eleitorais.

As causas estão, há muito, identificadas. E elas não mudam porque o problema também não muda. 

Se as pessoas, os seus ideais e opiniões, não entram em nenhuma parte de qualquer equação, por que haveria a sua voz de ter algum som que se ouvisse?

As bocas calam-se e o mundo não pára por isso.

Este é um problema que convém que o continue a ser, para bem de todos.

Excepto nós, claro. 

 

My Hand Over My Mouth by Grace Ellen Schiel

Sintra-se

sintra

Respira-se sem esforço e desvontade,

Assim como faz uma criança a conhecer um dia pela primeira vez,

Fazemos caminhos por entre mundos de estórias,

Andando vamos até que nos parem, 

Entre tantas dúvidas e percalços,

Lá estará sempre ela,

Aquela eterna Sintra.

Arborizações espontâneas

segundacircular

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

São tremendas as noticias que nos têm chegado desde o sector da rodoviária.

É bem sabido que o sector da jardinagem de vias rodoviárias (ou quiçá paisagismo?) não possui grande capacidade para momentos de entretenimento. Eis, porém, uma excepção.

Ora então eles querem arborizar a Segunda Circular. Parcialmente? Parece que não. Parece que é toda. Uma arborização de todos os tamanhos, como toda a boa arborização. Assim que sou encarado com a noticia, ao regozijo segue-me uma inveja por não ter nunca pensado na ideia antes, e ainda depois disso, uma angústia por nem sequer ter descortinado a sua falta.

Aceito que o local precisava de ar puro há muito tempo, visto que é uma estrada. E quase todas as estradas são assim, pelo que dizem alguns estudos. Mas nada que algumas e bem colocadas árvores não sejam capazes de disfarçar, dizem outros estudos de outros cientistas.

Bom mas passar entre o Colombo e a estação de Repsol do Campo Grande não será, nunca mais, aquela experiência atroz e insuportável que era antes.

Agora passará a ser um passeio no parque.

Um passeio que para além de ecologicamente agradável, tem também trânsito das sete às vinte.

 

   Pobres árvores.        

ICONOCLASTA II

Luaty-Beirao

Luaty deixou de ser noticia.

Como qualquer onda de um qualquer mar esquecido, que vem e depois vai, Luaty veio e depois foi. Deixou de lutar uma luta de todos e passou à batalha sem voz, sem uma gente por detrás dele. Aparentemente, só enquanto um individuo quase morre de fome numa cama de hospital é que os seus intentos fazem sentido de serem encarados.

É uma tremenda chapada nas ventas perceber que Angola, um país que nos habituámos a menosprezar, toma controlo em áreas de uma importância muito significativa, como são a economia, a justiça e a comunicação social. Ao eco de Luaty respondeu, do outro lado, um país que não serve para muito. Não serve de muito aos que ainda por cá se aguentam, tal como de pouco serve aos que pelo planeta vagueiam. Não dá a entender que façamos andar o mundo para a frente, nem para trás, nem para qualquer lado que seja. 

Angola precisa da democracia.

Portugal precisa de uma identidade.