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Vilipêndio

Ao menos chovem "notícias"

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Quando tudo for um deserto, rezemos para que sejamos capazes de comer pedaços de défice. Porque para fazermos de camelos - há que dizê-lo - tornámo-nos dos melhores. 

Façamos figas para quando a torneira se apagar todos nós consigamos matar a nossa sede com copos de notícias virais e as nossas vacas vivam de comer falsos moralismos. 

Esperemos que quando tudo arder, o ar secar e o verde morrer, algum responsável político resista para lá ir e garantir que tudo será feito para que no ano seguinte não se repita. Resista, também, um jornalista que possa ir lá e fazer a pergunta errada no momento certo. 

Rezemos muito. Porque pouco mais sobra.

Estados Perdidos da América

Gun Country, Michael Murphy

 

É difícil imaginar quão árdua será a tarefa de se ser americano e, ao mesmo tempo, ter um cérebro funcionante. A dor excruciante de ver pessoas a morrer sem fim apenas porque um lunático, um mal que contrariamente à opinião de alguns americanos chega a todos os países do mundo, tem acesso livre a um verdadeiro arsenal legal de armas. Em autênticas lojas, no meio de uma qualquer rua. 

Tal como a maioria dos assuntos políticos que brotam actualmente, este só faz crescer uma vontade de reagir pelas vidas que se perdem no meio do processo. Aquilo que realmente interessa neste jogo de vontade e poder, de tudo e de nada.

 

lobby das armas nos Estados Unidos é tão forte que é imensuravelmente forte. É impossivel compreender a existência de um interesse maior que o próprio governo americano, que ultrapasse a barreira do voto público e se torne intocável mesmo por cima do sangue de tanta gente. Contudo e infelizmente, apenas isso justifica a total ausência de legislação num país que já teve presidentes de todas as vertentes políticas. Que por ali, diga-se, não são assim tantas.

Todo este assunto só seria realmente incompreensível se não se tratasse do país que, entre fake news e empurrões do lado Putin da Força, fez eleger uma coisa chamada Donald Trump. Mas como o país é esse mesmo, resta-nos rezar por aqueles pobres coitados que levam um cérebro em cima dos ombros.

 

O nosso Halloween

Para os outros lados daquele sem-fim de água chamado Atlântico vive bem viva a tradição de celebrar o medo, o terror, os mortos e o lado negro desta máscara que usamos sem pedirmos para usar. O Halloween, celebração que remonta há cerca de três séculos atrás, usa o susto como transporte para a celebração e já que temos de usar a máscara, por que não vivê-la em ambos os lados.

 

 

E se de medo falamos, a personagem do nosso Halloween, e de todos os outros nossos santos dias, recai em José Sócrates. Presa fácil, quiçá. Mas presa merecedora dessa atenção, também. A tragédia que é comédia, que faz rir tanto que se chega ao ponto de chorar aquelas lágrimas que não são nem uma coisa nem outra. Na praça pública, em tribunal, onde quer que seja, José Sócrates já ruiu por completo. Por muito que advoguem pelos seus direitos, que nunca lhe devem obviamente faltar, é humanamente impossível concordar que exista inocência no chavascal de provas, indícios, escutas e de todos os enredos por detrás da Operação Marquês. É tudo demasiado mesquinho quando se fala de alguém que ocupou o cargo que ocupou. 

Poucas visões interessam para além daquela que é a geral. A fotografia total, a panorâmica. A fotografia que fica guardada na História. E essa é a de um Primeiro-Ministro de um país com quase um milénio de existência que, juntamente com outras tantas individualidades nucleares, montou uma rede de influências totalmente destinada ao benefício próprio, ao lóbi político, à corrupção, à lavagem de dinheiro, e tantas outras coisas que, de todo o mal que têm, a pior é capaz de ser o facto de não chocarem ninguém. Porque a única diferença que existe entre os sócrates e os isaltinos e todos os outros da mesma qualidade que por cá proliferam é o facto de um ter sido quem foi. E Socrátes foi quem foi. E a imagem que fica de um homem que foi eleito democraticamente por duas vezes é destrutiva a todos os níveis.  Envergonha toda a gente, não só os envolvidos, e derrota todos os partidos, porque a culpa não mora só num, tragicamente. E num ano em que já tivemos tantos motivos de vergonha e tristeza, este só pode ser o mais escusado dos pináculos. A imagem de algo a falhar de forma histórica, um colossal falhanço de um Estado que deve apostar bem mais em dar condições de sobrevivência, salvamento, operacionalidade em situações de emergência que são já tradicionais e não facilitar o enchimento dos bolsos de quem devia mandar as ordens mas que pouco faz para que isto seja mais que um paraíso de turista francês.

E o medo, que é o que nos traz a esta singela celebração, esse só pode aumentar. Este medo de tudo ficar como está.

Se isto não chega para um excelente Halloween, não sei o que chegará.

 

 

 

Marcelândia

O actual presidente da República é, para mim e para todos que não o conheçam no foro pessoal, um político. Dos bons, crê muita gente. "Este ao menos aparece!", dirão outros. "Este só quer aparecer!", também se ouvirá.

E estando já na história da política portuguesa pós-Abril, Marcelo Rebelo de Sousa não passa apenas disso: de um excelente político. Contudo, muitos dos adjectivos usados para o descrever sofrem de um exagero normal de quem não está habituado a uma personalidade política com a força e a impetuosidade de Marcelo. 

A forma de comunicar é disruptiva por ser directa, faz aliar uma abordagem não convencional dos assuntos a uma vocação pedagógica inata, sem esquecer a constante sensação de movimento que transmite. Marcelo não se limita a fazer política, consegue também fazer a política. À sua maneira, seja certa ou errada, mas que é concerteza preenchida por uma racionalidade sem fronteiras. Marcelo prova que aparecer não chega, é preciso levar uma mensagem na bagagem.

Mas o confronto com a liderança dói. Ou, melhor dito, o confronto com a verdadeira liderança. Aquela que se faz ver por palavras que não estão vazias de sentido. Costa sentiu isso na pele, como todo o Governo. Criticar, agora, a posição que o presidente tomou dá a sensação de ser mais um doloroso reviver do falar para o ar, enquanto tudo arde. E arde tão literalmente que dói. Se há um sítio onde existe necessidade de pôr coisas e pessoas em cima de outras coisas e pessoas, esse sítio é Portugal. Fazemo-lo por vontade e tradição, ou apenas porque nunca nos ensinaram de outra forma. Levemos isso a sério então. Olhemos para os bons exemplos de cima, sabendo o que fazem bem e, acima de tudo, o que fazem mal. Porque para os maus exemplos não há jornais nem telejornais suficientes. Não há revolta que chegue.

 

O fazer, mesmo que seja para aparecer no primeiro plano do telejornal, não deixa de o ser. E quando falamos de fazer político, são poucos os que conseguem fazer frente à dimensão da mensagem que o presidente da República consegue transmitir de forma quase diária ao comum do cidadão. E ao Governo também, aparentemente. Através do simples acto de agir. 

A política tem sido construída em cima de frases feitas, promiscuidades e gestos pensados, e não de empatia, proximidade e comunicação. E, entre acertos e desacertos, essa é bem capaz de ser a mensagem política de Marcelo.

 

O inferno existe

 

Foto: Gonçalo Delgado / Lusa

 

Afinal Pedrogão não foi a única machadada deste Verão. Havia mais. Havia um 15 de Outubro para acontecer, um 16 também. E todos os outros dias de um Verão que trouxe um calor que nos aproximou das portas de um inferno real demais para se poder descrever.

Mais uma vez pudémos aclamar os heróis que correm na direcção das chamas que tudo levam pela frente, levando a mangueira numa mão e a alma na outra, porque esses são os nossos únicos heróis. E eles existem, e são muitos, e são quem merece a primeira palavra de qualquer texto.

Os incêndios, um problema que tem barbas de velho, passou este ano a ser o principal assunto, um ao qual deixou de se poder fugir e não agir. Exige-se acção, rápida e concreta. Como eles fazem nos países grandes e crescidos. Aos políticos, e ao sistema político no geral, pede-se seriedade, estratégia, aplicação correcta de fundos, sentido de dever e de responsabilidade mas, acima de tudo, acção. 

Começando pela etiologia dos fogos, saber se existe mão criminosa parece ser um caminho pouco claro, do qual pouco se fala, sobrando um anonimato para os criminosos que não se vê na grande maioria dos crimes. E isso até pode ser de louvar, mas não se isso significar a impunidade do mesmo. As penas aplicadas são, no mínimo, pouco dissuadoras e permitem, muitas vezes, a reincidência. Existem, para além disso, graves falhas - culturais ou não - na educação do agricultor, do empresário, do proprietário do terreno, do turista, do comum cidadão. Há falhas em todos os lados, mas as falhas só existem até surgir uma solução, e a solução tem um caminho, com um início, um meio e um fim.

Parece haver em Portugal uma tendência muito fastidiosa para não saber responder ao que nos é dado e posto em frente às vistas. Qualquer animal minimamente evoluído usa essa capacidade e fá-lo como método de sobrevivência, processo que se pode definir como adaptação. Em Portugal, e muito particularmente no que toca aos incêndios, não se vê isso acontecer. Existe um problema, recorrente e de há décadas, que ou é grande demais ou não há vontade para o resolver.

Falhámos. A quem morreu, a quem viu a casa arder, o trabalho a arder, a aldeia a arder, uma vida a arder sem a ajuda de um bombeiro ou de alguém que seja. Contando apenas com o balde e a mangueira. 

A essas pessoas o país falhou tragicamente.

P.S.- Custa ver o que aconteceu nos últimos dois dias no país, às suas muito humildes populações e belezas sem igual, na mesma semana em que soubemos os 31 crimes de um ex-primeiro ministro, que conseguiu criar uma rede de influências e de desvio, lavagem e aquisição de bens financeiros juntamente com alguns dos mais poderosos agentes politicos, empresariais, bancários do nosso país. Algo está a falhar redondamente, e não é díficil enxergar o porquê.

 

Catalunha, Isaltino e tanto mais

O domingo que passou não foi um domingo qualquer. 

Começando nas nossas lusas terras, ontem foi dia de ouvir os portugueses, que é como quem diz pouco mais de metade dos portugueses, porque a voz só se ouve na ponta de uma caneta e a caneta não está assim tão perto. A abstinência é, no final de todas as contas e descontas, a grande vencedora, como quase sempre é. Passando ao lado da esperada queda do PSD e a mais que provável tradução nacional que terá no partido, consequência de uma política sem política, aceitando e esperando para ver que faz Medina com a sua maioria e Rui Moreira com o seu Porto, é importante notar o regresso de Isaltino Morais. A comédia e a tragédia são duas irmãs anciãs, velhas de conviver, e fazem-nos tanta falta como o ar que respiramos. Isaltino é a piada que vive dentro de uma piada bem maior que, no final de contas, piada não tem nenhuma.

Mas não foi só por cá que as canetas, as cruzes e as incertezas foram tema maior. Na Catalunha houve tudo isto elevado a uma dose de violência que só pode envergonhar tanto catalães como espanhóis, como quase toda a gente. A possibilidade e a liberdade de ouvir uma população em relação a determinado assunto é suposto ser um dos alicerces desta democracia, que é espanhola e portuguesa, italiana e americana. Esta democracia quiçá errada, quiçá imutável. Madrid não deixou a voz da população catalã ouvir-se, colou as canetas à mesa, silenciou as cruzes e a história está cheia de provas de como isso costuma acabar. O resultado viu-se ontem. Não se sabe bem o futuro da questão, mas sabe-se o que fica do passado, do domingo passado: a imagem de uma Espanha frágil, silenciadora, antidemocrática.

Entretanto, pelo que dizem, houve até futebol do bom ontem. Empates que deixam tudo na mesma, como se de eleições se tratassem. Mas estes empates deram mais tarde, como deve ser em dias de eleições, não vá a gente esquecer-se de ir votar.

A riqueza por detrás dos Montes

 É curioso como tudo começa com uma conversa sobre conhecer a Europa e os Estados Unidos que terminou com a pergunta do meu pai "Então mas e os Trás-os-Montes?".

Não era preciso pensar mais e comecei, desde aí, a planear uma escapadela lá para cima. Agarrei o braço do meu velho, que nem o é assim tanto, e na sua carrinha e fomos fazer 1500 km por essas bandas.

E aquelas bandas são das melhores bandas que o nosso país tem. Viseu, Vila Nova de Foz Côa, Vila Real, Mirandela, Bragança, Vinhais, Chaves foram alguns dos sítios por onde passámos. A imensidão da estrada que nos caminha até cada cidade ou vila é avassaladora, mas a beleza das paisagens que engolem cada uma dessas estradas é simplesmente indescritível. Apenas a lente do nosso olho (e de uma boa máquina se puder ser) consegue fazer sentido a um sem fim de verde, montes, natureza, de terra selvagem, virgem e dona de tudo. Ali quem manda não é a nossa falsa superioridade, é o monte que chegou lá bem antes. A terra manda e isso vê-se facilmente nas pessoas, no seu falar e agir. O respeito por algo maior, pelo próximo e pela vida é mais fácil de ter quando estamos rodeados de provas que algo bem maior existe. 

Atravessadas quase sempre por um rio, estas cidades de um Portugal distante vivem uma vida igual em tudo mas diferente na velocidade. Tudo é igual, menos a pressa, esta nossa pressa de chegar a lado nenhum, mas primeiro que os outros. Há mais tempo e disponibilidade para uma conversa de ocasião, uma piada ou um sorriso, a simpatia não é cara e está na cara. 

Venho de Lisboa, a capital de tudo, da confusão, do trânsito, dos turistas, dos preços altos. E da boa vida, da noite que não dorme, dos festivais. Vive cada vez mais, tem cada vez mais, de tudo o que é bom e de tudo o que é mau. Lisboa é, hoje em dia, quase tudo e isso pode tornar-se uma enorme confusão. 

Passando pelas estradas do Portugal que existe para lá dos montes, aprende-se algo muito importante com as pessoas e a vida de quem lá vive. Uma forma de andar diferente, por diferente ser a vista dos seus olhos e das suas janelas. 

 

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 Praia Foz do Sabor

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Praia do Azibo

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 Vila Nova de Foz Côa

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 Vinhais

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Beijós

 

 

"Não quero brincar assim"

Uma criança descobre a vida de formas que fogem à razão, aprende lições da mais pequena batalha, descobre verdades primeiras, inventa perguntas sem se preocupar muito com a resposta. Como qualquer visão inocente e pura, a visão de uma criança sofre apenas a influência do instinto e do sexto sentido, assuma ele uma qualquer das suas invisíveis formas.

Pela inocência e pureza de espiríto, é com uma boa dose de desilusão que, em crianças, vamos recebendo as indicações e a lista de regras que fazem parte da brincadeira de viver. Uma atrás de outra, cada indicação que uma criança aprende e repete são consecutivos travões na arte do instinto e do sexto sentido que vinha aprimorando desde o início do seu mundo neste mundo, e são uma auto-estrada de pensamento estreitado e visões curtas que segue rumo a um destino que, para todos os efeitos, é de poucas brincadeiras.

Por isso, quando uma criança aprende qual o jogo que vai realmente jogar, só pode responder não quero brincar assim. Mas apenas o dirá enquanto o vir como um desafio e uma luta. Chegará, depois disso, tão certamente como a lua e o sol, o momento da aceitação. Porque a vida é um jogo com o qual, no final de contas, ainda vale a pena brincar.

Brinquemos.

 

O racismo em Portugal

American Denial 

 

PUBLICO - Racismo em português

O trabalho que o Público lançou, nas últimas semanas, relativamente ao racismo em Portugal é um feliiz oásis no meio da barulheira que tem sido a comunicação social impressa e, pior ainda, os media televisivos nos últimos (conturbados) tempos. 

O racismo em Portugal existe, é um facto. Todos somos capazes de o perceber, de o assumir como plausível. Contudo, este racismo é tão real quanto a ausência de diálogo que dele advém, assusta tanto ou mais que o simples facto de se conversar sobre ele. O resultado do estudo apresentado no caderno do Público revela que somos o país dos incluídos na investigação onde maior número de pessoas considera haver uma superioridade genética entre raças. O que fazer com este resultado? Assumi-lo como tão valioso como qualquer estudo, que pode ter ou não validade cientifica e significância estatística? Tudo é melhor ideia que ignorá-lo. 

O racismo em Portugal é histórico, de livro de escola, ancestral, do avô e do bisavô. Não se fala sobre ele, mas aprende-se com ele, de bem perto. Crescemos bem junto a ele, mas sem que daí surjam grandes conversas ou conflitos. E é por isto que, tal como boa parte de tudo, o racismo em Portugal é diferente. A estabilidade social (subjectiva, em alguns pontos) que se tem por cá deve-se a um maior grau de aceitação e inclusão nas ruas, nos centros comerciais, na vida normal mas que, percebemos agora, pode apenas ser resultado de um menosprezo tão profundo que pode até ser inconsciente. A aceitação do outro pode não ser resultado da assumpção de igualdade mas sim precisamente da ausência dela. Não és tão bom como eu, mas eu até aceito que sejas assim.

Há uma ausência de conflito numa divisão social que é histórica em Portugal, e isso faz diferença. Mas aparentemente não faz toda a diferença. 

Seremos, pois, mais racistas do que pensamos? 

O horror é real demais

Portugal continua a assistir à morte lenta daquilo que equivale a um terço do seu território, vendo no caminho desaparecerem famílias inteiras, e sonhos desfeitos por um calor talvez inevitável mas certamente antecipável.

O que aconteceu em Pedrogão ultrapassa a barreira da compreensão, pela brutalidade e crueldade com que chegou. Há momentos em que parece surreal. Pena dá que em Portugal o surreal se torne dolorosamente subjectivo. O que se discute hoje é algo que é sabido há décadas, é um dos assunstos sazonais que gostamos de ter por cá, tal como a gripe ou as urgências hospitalares. Infelizmente, desta vez, o resultado final é inenarrável. O que mais dói, de tudo o que dói nesta história, é saber que não era preciso ser dono de poderes sobrenaturais para ter tido, há já algum tempo, a visão do inferno que acabou por cair à frente daquelas infelizes almas. 

Quando passar todo o aparato mediático que se criou à volta desta tragédia - que já nos deu a oportunidade de ver telejornais entre camiões dos bombeiros e reportagens com cadáveres no plano - e que beneficia não consigo vislumbrar quem, é preciso colocar, de forma urgente, fundos e recursos na antecipação e prevenção de incêndios florestais, na melhoria das condições de trabalho de bombeiros, polícias, guardas florestais, e tudo aquilo que se discute desde sensivelmente sempre. 

 

Já lá vão algumas horas desde que aconteceu aquilo que toda a gente viu. Mas que pouca gente viveu. Menos ainda as que conseguiram sobreviver. E as que, sem saber se feliz ou infelizmente, cá continuam não sabem o que fazer com o que resta desse continuar. De igual forma, não sabemos nós que sofremos por imaginar que, naquele momento, aquelas pessoas estiveram cruelmente sozinhas com o inferno em frente aos olhos.